Terça-feira, Novembro 24, 2009

o papel

qual papel?
aquele que se vai buscar pela terceira vez, em romaria, à Junta de Freguesia.

já é suficientemente bacoco que terceiros atestem a residência de qualquer um - mas a necessidade de que exista um orgão oficial e oficioso a "prová-lo", dá conta da medida em que é tomada a palavra de cada cidadã ou cidadão: abaixinho de cão - e nós bem sabemos os tratos que sofrem os cachorros neste país.

alguns ainda se lembrarão do tempo em que se corria a duas - porque não três?... ou quatro?... ou dez?... - casas comerciais, cujos proprietários tinham de atestar, preto no branco, que aquele ou aquela fulano/fulana residia ali no quarteirão - que ali, sim, comprava os ovos, as meias, o papel higiénico, ali ruminava a sua vida ao balcão, ali entretinha os olhares nas montras, ali assentava a escarreta no passeio familiar.

chegaram as grandes superfícies, o comércio local definhou, àla que a estratégia é outra. esta sim, mais higiénica. pois onde o sr Amândio ou a srª Margarida assinavam de cruz, as Juntas de Freguesia são agora a cara ordeira e legalista dos tentáculos da Grande Administração.

é claro que, durante anos, muitos continuam recenseados em Aveiras de Cima, só pelo prazer de fazer, de 4 em 4 anos, uma visitinha às mesas onde impera a soberba urna, e dizer olá e adeus com aquele olhar crítico do "estás na mesma como a lesma" a um compadre mais longínquo - apesar de residir, há décadas, em Aveiras de Baixo.

nada disto importa para o caso - que é este caso: por razões imperiosas que a razão desconhece, uma escola profissional no norte - o Norte é uma Nação, como se dá conta aqui - exige que uma Junta de Freguesia de Beja ateste, preto no branco, que determinada cidadã residente em Beja tem a sua residência a mais de 50Km do... Porto.

a Junta resiste - que não são a Junta Autónoma de Estradas. chamem a Sociedade de Geografia se querem medir distâncias territoriais. eu concordo. não se atesta - que isto é um teste.
só não percebi bem a quê.

e, de resistência em resistência - passando pela odisseia transviada do correio verde dos CTT que demorou semana e meia a chegar ao seu destino (Beja/Porto - mas... reparando bem, são mais que 50 km...) chegámos à inflexibilidade: ou se atesta ou não tem valor (o atestado).

a Junta, sempre próxima do cidadão/ã, coração mole porque vê as caras, claudicou, e atestou: sempre é certo: de Beja ao Porto, sempre são mais de 50 km!

e, para quem não sabia, ao certo - e apenas, mas apenas, suspeitava, ficou a certeza: de Beja ao Porto vão pr´aí, pelo menos, uns 50 km!

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

dezembro: 9, 10, 11, 12

na CASA AMARELA.

Domingo, Novembro 22, 2009

a joana, a carla, a sandra e a amiga


baixemos os olhos. porque nos custa imaginar.
quatro raparigas, em quatro dias, esfaqueadas até à morte, pelos seus namorados ou amigo.


no país dos brandos costumes fervem fúrias que bebem nas paixões o vinho acre da possessão.


a raiz do problema talvez seja menos temperamental, e mais cultural.

se lidar com a decepção é algo que faz parte da aprendizagem dos caminhos de cada um, já o assumir perante os outros o fracasso de uma relação ou a - nunca simples - rejeição, ultrapassa os limites do universo pessoal, desagua nas fragmentações das imagens construídas no espelho social.


ensinem os rapazes.
.

Sábado, Novembro 21, 2009

matriz


obsessivamente, ruy belo:

As noites desmedidas de novembro
abertas sobre a queixa rígida das árvores
inauguram o outono sobre a terra
(...)

Eu te saúdo outono punitivo
sinal deste silêncio que me não permite
desistir de cantar enquanto vivo
Que o vento a névoa a folha e sobretudo o chão
caibam dentro do espaço da minha canção


in Espaço para a Canção,
Monte Abraão, Ruy Belo

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

PULSARs I


é uma bomba?

uma caixa para dar milho aos pombos?

um rollex disfarçado?

um ambientador para públicos inquietos?

é tudo isso e muito mais, este artefacto construído por José António Pelicano (o burro) e que fará intervenção no Ciclo PULSARs.
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11 dezembro 22:00h
CASA AMARELA arte pública

O SANGUE VAI CORRER
de
josé antónio pelicano
joão vasco henriques
(o burro e o cigano)

performance improptu
- uma dissertação sobre a improvisação

Terça-feira, Novembro 17, 2009

anjinhos


parecem, parecem.


mas para chegarmos a este estado, fartámo-nos primeiro de rir.

e de cabriolar.


hoje, portanto, por
aqui.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

ando atarefada com tudo


... e mais alguma coisa

mas essencialmente com outras coisas.


nomeadamente


- esta digressão, três semanas galgando estradas nacionais, conhecendo as mulheres e os homens mais incríveis no empenho, profissionalismo e sentido de missão que coordenam e integram as equipas das Bibliotecas Municipais deste país (a revolução ainda é).



- ler estas parvalhadas, ouvir esta canção.


- viajar mais, conhecer gente que dinamiza projectos como este.


- e tudo o mais, mas sobretudo o ruy (belo)


Às vezes sabes sinto-me farto

por tudo isto ser sempre assim
Um dia não muito longe não muito perto
um dia normal um dia quotidiano
um dia não é que eu pareça lá muito hirto
entrarás no quarto e chamarão por mim
e digo-te já que tenho pena de não responder
de não sair do meu ar vagamente absorto
farei um esforço parece mas nada a fazer
hás-de dizer que pareço morto
que disparate dizias tu que houve um surto
não sabes de quê não muito perto
e eu sem nada para te dizer
um pouco farto não muito hirto e vagamente absorto
não muito perto desse tal surto
queres tu ver que hei-de estar morto?


"Um dia não muito longe não muito perto"

in Poemas de Ruy Belo, ed. Assírio e Alvim *