vinhas fugido de uma besta a quem chamam de homem.
acostumado a uma curta prisão, vagueavas em pele e osso, quase sem ouvir ou ver.
estiveste a soro por dois dias. foi quando, finalmente, recuperaste do jejum e das sevícias, que assistimos ao estado da mais pura alegria: correr, para ti, era o princípio e o fim da tua necessidade interior - e por isso tornaste obrigatórios os passeios diários no campo - que, para ti, nunca tinha a vastidão suficiente.
foste adoptado - e, aos poucos, conseguirias desvendar à tua nova família sinais de afecto e de cumplicidade - que te foram negados nos primeiros anos da tua vida.
curta. demasiado curta.
nunca saberemos o porquê de te teres desviado da rotina do passeio campestre.
a outra besta a que chamam de homem nem sequer parou.













