Domingo, Dezembro 30, 2007

vagas

apanharam-te no cinzento do asfalto, de onde te recolhera, há três anos.

vinhas fugido de uma besta a quem chamam de homem.

acostumado a uma curta prisão, vagueavas em pele e osso, quase sem ouvir ou ver.

estiveste a soro por dois dias. foi quando, finalmente, recuperaste do jejum e das sevícias, que assistimos ao estado da mais pura alegria: correr, para ti, era o princípio e o fim da tua necessidade interior - e por isso tornaste obrigatórios os passeios diários no campo - que, para ti, nunca tinha a vastidão suficiente.

foste adoptado - e, aos poucos, conseguirias desvendar à tua nova família sinais de afecto e de cumplicidade - que te foram negados nos primeiros anos da tua vida.

curta. demasiado curta.

nunca saberemos o porquê de te teres desviado da rotina do passeio campestre.

a outra besta a que chamam de homem nem sequer parou.

Quinta-feira, Dezembro 27, 2007

exemplos de lá colados aos de cá

Vivemos tempos difíceis.

Os guardiões do poder odeiam gente culta, visionária e com ideias divergentes.

Pressente-se, por parte desta gente, amedrontada pelo balanço das cadeiras do poder - e sente-se - o ódio, a mesquinhez e a intolerância - seja no Paquistão ou na pobre e ignorada pax-juliense Beja, a outrora Baja.

As regras da convivência democrática são prontamente arrasadas quando os poderes instalados se sentem - ainda que minimamente - ameaçados no seu totalitarismo - ideológico e executivo.

O que tem levado a este estado de coisas tem sido o progressivo alheamento das populações ao exercício de cidadania, na comunidade, na pólis, no país, no planeta.

O divertimento do mentidero das Portas de Mértola é um núcleo do que se globaliza como metástese, galopando para o seu trágico final: muito se diz - e pouco, ou nada, se faz.

A regra dos generais de pacotilha aqui ou lá, não difere: a tentativa de segregação, de erradicação - até a uma solução de morte - física, política ou social.

Para gente deste calibre, uma só resposta: se a democracia ainda é o pior de todos os sistemas - excluindo todos os outros - façamos uso de todas as possibilidades que ela nos - ainda - oferece.

A guerra pela justiça, é, aqui, uma missão.


Terça-feira, Dezembro 25, 2007

o essencial é invisível aos olhos

a arte pública terminou este intenso ano de criações e de apresentações públicas da melhor maneira: com a ESTREIA da nova Performance AQUI FUI: CLARISSE. - um poema musicado e interpretado ao vivo - que envolveu o esforço criativo de toda a equipa - e mereceu, da parte do público, a afluência e a comoção suscitada pelo tema, pelas imagens, pela interpretação de músicos, actores e cantora.

A abordagem da morte neste fim de ciclo produtivo de 2007 insere-se nos propósitos de reflexão que a arte pública já habituou o seu público.

Desta vez, uma reflexão de ordem individual - através de um texto que é um manifesto poético, filosófico e musical.

O momento da morte, confinado hoje, nas sociedades industrializadas, para os leitos dos hospitais, urge um novo estudo e abordagem - face aos ensinamentos e gerações de práticas budistas durante o processo de dissolução da consciência - e perante as três raízes em que se ancora a necessidade de exercitarmos a consciência sobre esta questão - quer a entendamos ou não como um passamento:

1. a inevitabilidade da morte;

2. a incerteza sobre o momento do seu acontecimento;

3. a certeza de que a única coisa útil, nesse momento - onde nem os amigos nem toda a riqueza nos poderão servir de ajuda - será a prática dessa consciência.

"O propósito de pensarmos na morte não é o de ficarmos assustados, mas sim o de apreciarmos o valor desta preciosa vida humana ao longo da qual podemos praticar muitas coisas essenciais."
Dalai-Lama

Em meu nome e no da arte pública desejo assim, a todos, em 2008, um percurso pleno de...
"coisas essenciais".

fotos: de ensaios



arte pública
Prémio MAIS TEATRO 2007
Revista Mais Alentejo.





título da postagem retirado, como será reconhecido, de O Principezinho.

Sábado, Dezembro 22, 2007

assim como assim

... e tentando passar ao lado do folclore de comezainas e pulsão compradora em que os pobres mortais transformámos um marco de calendário que deveria servir outros propósitos, aqui seguem algumas interrogações de Clarisse, no momento do seu Passamento:

Como ser?*
I.
Como ser o fio
ser a teia, ser aranha?
Como ser a folha
que na água já se espelha?

Como ver ao longe
quando o perto é tão imenso?
Como ver a dança
que há no segredo do vento?

II.
Como ser memória
ser palavra ser a vida
Como ser a história
ser a estrada percorrida?

Como ser tão nua
quando a noite é tão diurna?
Como ser silêncio
no silêncio desta bruma?
(...)

* Como ser - parte do poema AQUI FUI: CLARISSE. de Gisela Cañamero,
em cena até hoje - PaxJulia, Beja.
Com: Isabel Moreira (Clarisse), Paulo Duarte (Adail), Luís Proença e Hugo Pereira (Coro),
Jorge Teixeira (Violoncelo), Angelo Martino (Piano).
Sonoplastia: José Manhita. Luz/Vídeo: Rafael Del Rio.

Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

DAA


Nunca li nenhum livro de Joaquim Mestre, como tal, não se trata aqui de avaliar a qualidade do que se desconhece. (…)

(…) E a que é que me refiro? Ao evidente e inquestionável facto de Joaquim Mestre ter pura e simplesmente copiado para "A imperfeição do amor", o romance "A cega da casa do boiro", publicado em 2001 pela Hugin. É certo que nesta versão de 2007 acrescentou um ou outro parágrafo de quando em vez, uma ou outra folha em cada capítulo. Mas a estrutura do romance é a mesma, até o título da quase totalidade dos capítulos se mantém, tal como as personagens que, com mais um nome próprio ou menos um apelido, permanecem, no essencial, as mesmas.

in A imperfeição do autoplágio, por António Revez
Crónica "Correio Alentejo"


Criadores/as de todo o mundo:

– escritores/as, dramaturgos/as, coreógrafos/as, encenadores/as, pintores/as, escultores/as, cozinheiros/as,

a partir de hoje é, por decreto, proibido mudar uma vírgula, um movimento, um título, uma cor sem requisição e autorização à Digníssima Autoridade para a Autoria.

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

AQUI FUI: CLARISSE.

Estreámos - este Poema Musicado sobre a Morte.

Entre o Natal e o Passamento - até novo Natal:
passar a fronteira, na dissolução da consciência.

Sala cheia.

De novo em cena dia 22, às 22.00h (PaxJulia, Beja).

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

mergulhados




... na construção de

AQUI FUI: CLARISSE.
por aqui com...
Isabel Moreira: voz, arranjos musicais
Jorge Teixeira: violoncelo
José Manhita: sonoplastia


Gonçalo Ramos: voz criança








Angelo Martino: piano

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

em Festival














Hoje, às 21.45h:
Estaremos no Festival de Teatro do Seixal : Paulo Duarte em MISTÉRIOS BUFOS.

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

AQUI FUI: CLARISSE.


ESTREIA dia 20

AQUI FUI: CLARISSE. é um poema musicado e interpretado ao vivo.

Aborda a questão do efémero e da impermanência nas nossas vidas – tantas vezes julgadas de pedra e cal – através da figura de uma mulher comum – Clarisse - no momento do seu inesperado passamento - ou morte.

Segundo Tsering Everest O critério que podemos usar para entender a verdade é a permanência. Se algo é permanente, é verdadeiro. Se é impermanente, não é verdadeiro, porque irá desaparecer. Logo será apenas uma memória. Tudo na nossa realidade é apenas uma colectânea de imagens oníricas, que supomos ser verdadeiras e significativas porque estamos muito envolvidos nela.

E é nesta sucessão de imagens – sonoras, verbais e visuais – inspiradas ainda pelos universos de Clarice Lispector, David-Mourão Ferreira, Ruy Belo, Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa ou António Franco Alexandre que AQUI FUI: CLARISSE. se instaura.

Ficha técnica

AQUI FUI: CLARISSE
de Gisela Cañamero

Outros Poemas
As Fadas Antero de Quental
E por vezes David-Mourão Ferreira

Outra Música
Les Fils des Étoiles Erik Satie

Clarisse
Isabel Moreira

Narrador
Paulo Duarte

Coro
Luís Proença e Hugo Pereira

Voz off
Gonçalo Ramos

Arranjos musicais
Isabel Moreira

Piano
Angelo Martino

Violoncelo
Jorge Teixeira

Sonoplastia
José Manhita

Vídeo/Luz
Rafael Del Rio


Relações públicas/Produção
Raul Bule


AQUI FUI: CLARISSE. é a 5ª produção arte pública 2007

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

em criação


terminada a carreira de AS VELHAS em Beja da melhor maneira
- com as sessões esgotadas,
eis-nos de novo em criação - para nova estreia, daqui a dias.


o trilho é um pouco como o indicado este sinal bejense: sempre a subir - para algures, supômos.


fechada por aqui, portanto, para atender a outras obras.

Sábado, Dezembro 08, 2007

AS VELHAS despedem-se hoje

arte pública apresenta

AS VELHAS
de Gisela Cañamero

Paulo Duarte
em Etelvina

Luís Proença
em Ifigénia


Dezembro
qui, 6 - ESGOTADA
sex, 7 - ESGOTADA
sáb, 8


PaxJulia, Teatro Municipal
Sala Estúdio, às 22.00h
arte pública

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

apelo


A ANIMAL pretende formar, em Lisboa, um corpo de activistas veganos (ou seja, integralmente vegetarianos), ou que ainda não o sejam mas estejam realmente dispostos a tornarem-se veganos, que sejam comprometidos com uma visão abolicionista da defesa dos direitos dos animais (aquela que defende intransigentemente os animais e os seus direitos fundamentais e que só aos animais é inteiramente leal) e que tenham disponibilidade de tempo e disposição pessoal para se envolverem mais aprofundadamente, nos seus tempos livres, no activismo pelo veganismo e pela libertação animal na zona de Lisboa e noutras zonas do país.

Este corpo de activistas reunir-se-á regularmente no centro de Lisboa para planear acções, para visionamento de vídeos acerca dos direitos dos animais, para discussão de estratégias, planos e iniciativas, e para participação activa nestas, para aprender e ensinar sobre como melhor se pode representar os animais não-humanos no seio da sociedade que continua a oprimi-los, e para convívio entre activistas veganos pessoalmente muito comprometidos com a realização da libertação animal, pretendendo-se também criar e desenvolver uma autêntica comunidade coesa de verdadeiros advogados dos animais em Portugal, começando por Lisboa. Não se pretende que seja necessariamente grande – o número não é o que mais importa para este projecto –, mas forte, determinada e coesa, em nome dos animais.

É fundamental que as pessoas interessadas tenham tempo disponível e vontade para o usar (seja muito ou pouco) e é preciso determinação para pôr fim a todas as formas de exploração e/ou violentação de animais. Não há limites de idade, pelo que ninguém se deverá sentir demasiadamente velho ou novo para um projecto destes.

Se estiver(es) interessada/o, por favor envie(a) um e-mail, indicando esse interesse e a razão desse interesse, para
rita.silva@animal.org.pt.