peço-lhe mil perdões por uma vez mais ir retirá-lo do descanso terrestre que o Mui Alto Senhor gozará com merecida alegria celestial.
bem sei que do alto do Seu assento Vossa Imponente Majestade terá de velar, com zelo infinito e soberba magnificiência, pela aplicação das regras do seu mui distinto Reino - e pelos Filhos, e pelos Filhos dos Filhos da soberana linhagem a que pertence, os Promissores Censúreos da Parvalândia.
tem esta missiva o fim único de dar-Lhe a mui merecida razão, onde outrora, quiçá por descuidado atrevimento - e por desconhecimento da Sua mui nobre missão - me terei atrevido a desviar a atenção de Vossa Mercê com, reconheço agora, canalhices. (nota de fim de Folha número um)
rodeou-Se Vossa Graça de pagens, lacaios e zelotes para fazer cumprir o Seu Alto destino, na previsão de sair sem mácula de qualquer processo mais inconveniente ou espinhoso - e fez Vossa Sumidade muito bem, pois que já não se encontra à mercê das levianas paixões dos verdes anos, antes actua com a Sabedoria que a idade - e, decerto, muitos anos a crescer por entre as intrigas do paço - lhe darão.
reconheço agora, mui humildemente, ser perfeitamente natural, compreensível e até desejável que um Monarca da sua estirpe faça uso da mentira, do subterfúgio e de maviosas - mas fecundas - artimanhas no exercício do Poder.
o Povo ainda não sabe - que não tem, felizmente, instrução nem interesse por estas coisas comezinhas - o quão bem encaminhada vai a urbe nas mãos de quem herdou dos Patrícios a bem-aventurada missão de impôr a Reestruturação da Ordem e a Sintonização com o Pensamento Único - dando ordem de edital de exclusão e de banido aos não-alinhados, verdadeiras chagas societárias, que inconvenientemente apregoam a alegria na divergência e descuidadamente semeiam outras realidades, no exercício nefasto desse incómodo chamado Liberdade - dentro das muralhas do feudo de Vossa Aventurada Senhoria.
ri-se o Senhor da democracia com o mesmo despudor com que outros se rirão da infelicidade alheia - e nem outra atitude se esperaria de quem tomou o pulso da urbe por assalto - e, permita-me a ousadia de recordar a Vossa Graça: esteve por uma unha negra!... - mas agora consolidada por direito de foral.
escrevo-lhe do cárcere a que, com grande sabedoria, Vossa Imponente Majestade me votou - mais arrependida que um Galileu - e de tal forma consciente dos meus errados actos de antanho, que pode Vossa Mercê considerar-me arredada já das perversas actividades que executei, por mor da Arte de Talma, e que agora renego três vezes - como consegui balbuciar ao verdugo antes de me aplicar o ferro em brasa na língua - por reconhecer, agora, ter estado sob poderosa influência de bruxedo que durante toda a vida me acompanhou.
- ó Luz dos Além-Tejos, Monarca dos Monarcas: oiço já o tinir do verdugo a afiar a lâmina do Machado Real!
sei que sou digna do maior opróbio, mas tem Vossa Mercê, na Sua infinita misericórdia, o poder de poupar a minha cabeça! não lhe peço por mim - mas imploro pelos meus filhinhos, pelos meus cães, pelos meus gatinhos e por quatro - quatrrrro, Meu Senhor!!! - peixes de aquário!!!
eles são vítimas inocentes do mau caminho que A Mãe trilhou, sujeita, sabe-se lá a que pérfidas influências cosmológicas e dos Espíritos!
não poderei escrever-lhe mais: os meus algozes preparam agora os cordames e correntes que, através do suplício por lento esticamento, deslocarão o braço do ombro, de modo a também pôr fim a esta ousadia da escrita.
- perdão! perdão!
mas saiba Vossa Senhoria, que - segundo o atrevimento desses homens e mulheres que insistem, às escondidas, na prossecução de estudos e de práticas igualmente perseguidas - parece terem obtido provas, de que, mesmo depois de cortada, ela pensa.
a cabeça.
nota de fim de Folha número um
de canalha, sub fem: a plebe
imagens: da net


6 comentários:
Olhe que é preciso ter lata senhora Gisela!
Depois de anos e anos a fio a alambazar-se abundantemente na teta da câmara de Beja, agora é só cascar na mesma??? A teta secou, foi?
Hum... bela jogada agora, ein? Como esta teta secou agora a senhora mostra-se muito adversária do PC e da câmara, que é para ficar à vontade se o PS ganhar em 2009.
A isto chama-se oportunismo, ou falta de espinha dorsal...
apesar de poder retirar o seu comentário, por lhe estar subjacente a ofensa gratuita, penso que o comentário reflecte a índole de quem o faz - e só é pena esconder-se - ai, a espinha dorsal... - atrás do anonimato.
não costumo responder a anónimos - e muito menos a gente ressabiada que utiliza este tipo de linguagem - mas uma vez que se vêm imiscuir no meu espaço, aqui vai um esclarecimento:
a arte pública é uma estrutura financiada pelo MC - financiamento este obtido através de concurso nacional - doa a quem doer, sobretudo à mesquinhez de alguns tontos que insistem em deitar abaixo todo o empreendedorismo e actividades de sucesso em Beja.
o financiamento - sempre escasso para a Programação pensada para a cidade - é o reconhecimento da pertinência do trabalho e das competências técnicas e artísticas que nos estão reconhecidas.
não preciso de recordar - mas fá-lo-ei apenas para tirar algumas dúvidas em espíritos mais pegajosos a ideias feitas - que, antes de me decidir a fixar residência e actividade em Beja, fiz um percurso académico em Música e em Teatro e trabalhei com alguns dos mais impactantes nomes da cena do Teatro e da Ópera em Portugal.
a intervenção localizada numa região fora dos grandes centros urbanos obriga SEMPRE a protocolos - chamados de Contratos-Programa - com as Autarquias de acolhimento - de modo a assegurar a sustentaçãso de uma estrutura mínima e de optimizar, para a comunidade, os recursos humanos desta estrutura.
O Contrato-Programa assinado com a CMB - que define uma prestação de serviços em nº de espectáculos e sua tipologia, bem como acções de formação e de sensibilização - tem, ao contrário do que se esperaria, vindo a diminuir, no que se refere à comparticipação financeira da CMB.
apesar de termos atingido o mais baixo valor de sempre com este executivo, um Contrato-Programa não deve, apenas, conter as obrigações financeiras mas também outras, relativos ao acolhimento - e, sobretudo, o relacionamento institucional não passa - não pode passar apenas - por questões financeiras.
este relacionamento tem vindo a deteriorar-se com a entrada deste executivo, onde, há já vários meses, sentimos as pressões que tentam prejuduicar a nossa actividade em Beja - e onde, desde a constituição da arte pública, por nos empenharmos na criação artística e dinamização comunitária, com genuína independência de quaisquer peias partidárias, termos visto a nossa actividade objecto de grande desconfiança - também por ignorância - por parte do poder local, há já década e meia.
Tudo o que tem sido feito pela arte pública em Beja, foi-o "apesar de" - pois sempre nos vimos obrigados a lutar contra o feroz conservadorismo das estruturas fixadas, de pedra e cal pelo núcleo duro do PCP em Beja.
é certo que, da parte da arte pública, dirigir-nos-emos às instâncias necessárias e procederemos em conformidade com a tentativa de guetização de que estamos a ser, obviamente, alvo.
sei que o seu objectivo não é, de todo, ficar esclarecido/a. você procura apenas lançar achas para alimentar uma fogueira que, tomara, na sua perspectiva, queimasse tudo à volta.
de qualquer modo, por respeito a outros leitores, fica aqui a resposta possível.
em relação á sua preocupação de contactos copm estruturas partidárias - ou outras - penso que ainda estamos mum país livre, e, portanto, não lhe diz respeito.
agora há uma coisa de que, quem me conhece, sabe que é verdade: a minha coluna vertebral nunca se vergaria a qualquer tipo de oportunismo.
Cara senhora, toda a gente sabe, ou muita gente sabe, como é que a senhora ganha o apoio do Ministério da Cultura: com curriculos de pessoas que já não trabalham convosco, e com memórias descritivas arrojadas e cheias do seu paleio pseudo-académico para impressionar e que depois não têm qualquer correspondência nos espectáculos que fazem... Só é pena que as estruturas do ministério não façam fiscalização, observação in loco e controlo de execução e avaliação rigorosa do efectuado... caso o fizessem, a senhora e a sua companhia já há muito que tinha deixado de receber dinheiro do Estado.
Mas, pelos vistos, por cá já houve quem tivesse aberto os olhos...
o senhor - ou senhora - deve estar a confundir-nos com outra estrutura, e só o facto de não estar por dentro do processo das estruturas apoiadas pelo MC justifica a sua ignorância.
como a sua fixação para com a arte pública é traduzida em imagens de cariz mamário - aberração que um bom psicanalista decerto poderia ajudá-lo (la) a superar, o seguinte esclarecimento é para qualquer outro/a leitor/a, de modo a que não fique no ar a dúvida da suspeita insidiosa:
- a arte pública manifestou, juntamente com outras estruturas de criação, durante muitos anos, junto do MC, que o acompanhamento in loco deveria ser uma das prioridades da tutela.
esse acompanhamento - que se traduz em assistência às acções (espectáculos e formação) e reuniões periódicas de avaliação faz parte de um processo de fiscalização que é já feito, felizmente, de há uns anos a esta parte.
uma das conclusões, no que concerne à actividade da arte pública em 2007, é que as expectativas foram largamente superadas.
as regras existem - e são cumpridas de parte a parte.
menos na CMB, onde impera neste momento, um absolutismo senhorial à boa maneira feudal - que faz uso da mentira, do subterfúgio e do escapismo - sem respeito por regras ou instituições.
e é isto - e nada mais, neste momento, o que está em causa.
Pois um anónimo. Só podia ser. mas, não sei porquê não me é nada desconhecido este tipo de escrita. Parece que é tipico de alguém que eu conheço que por onde passa tem o condão de fazer estragos e como consequência recebe como prémio a expulsão ou irradiação. Anónimo, pois claro...
Olhe anónimo eu não preciso de pseudónimo nem anonimato, chamo-me Ana Maria Ramos. Desafio-o a ter a coragem de fazer o mesmo: identifique-se. Só assim as afirmações que fez poderão ter a minima credibilidade.
Ola D.Gisela sendo eu novata neste campo dos blogs,dei por aki uma volta e deparei me com a sua paisagem rsrsrs!EXCELENTE!
Ta visto:voce e mesmo uma perita nisto.Ja nos conhecemos pessoalmente mas pr pouco tempo.
Vai ser aqui que vou ter oportunidade de a conhecer melhor(pelo menos por enquanto)
Sabendo eu que e uma pessoa perspicaz faco o desfio de tentar adivinhar quem sou eu.
Pista...(lol)
Beijinhos para todos ai em casa.
LUSITANA.
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