e pronto! - Passos Coelho prometeu e vai cumprir: extingue-se o Ministério da Cultura!
esta é uma medida que reflecte o revanchismo próprio de uma certa classe política que vem fazendo escola, desde a implementação da República. nada de novo, portanto, quando se trata de mostrar ao povo quem é que manda e como se vai «pôr ordem» nessa corja de artistas, intelectuais e criadores.
mas o que parece não é: ninguém tem dúvidas que o baluarte da «contenção das despesas» se vai ficar pelo salário do Ministro inexistente - ou alguém tem dúvidas de que a máquina ministerial - edifícios, organismos, departamentos e funcionários - terá de continuar a assegurar a política a implementar (se é que vai existir alguma)?
assim, sobra o óbvio: a Cultura - e, muito especificamente, as artes deste país, que têm dado o maior contributo da boa notoriedade de Portugal lá fora, e que, já agora, que andam todos a contar os tostões, contribuiu, nos últimos anos, de modo muito significativo para o PIB português - sofre uma despromoção retrógada e despropositada, e, sobretudo, significante.
é portanto ao nível do simbólico que temos de entender o que pretende ser esta «decapitação» da representação, que deveria ser emblemática e projectiva, da actividade artística deste país.
quando, em reuniões internacionais, se reunirem os Ministros da Cultura, seremos representados por um Secretário de Estado.
burocracias, dirão. mas que dão uma preocupante - embora esperada - ideia de qual irá ser a atitude deste governo para a actividade artística, no Portugal do séc XXI.
(a este propósito, não será demais referir aqui o brilhante depoimento de João Botelho, numa excelente bofetada de luva branca aos tristes opinion makers da nossa praça. bravo!)
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