Segunda-feira, Setembro 12, 2011

os supermercados culturais do interior: nada sai mais caro do que a ignorância.

















chegou às terras do interior o acontecimento que se instala por uns dias - é o Festival disto e daquilo, a Feira daqui e dali - cerca-se um terreno, delimita-se uma entrada, uns compram, outros vendem, parece haver benefícios de parte a parte, algumas trocas é certo, depois tudo desaparece, para o ano há mais, apareça.

o modelo é de fácil implementação, há vereadores e programadores a apostar nisto, parece assim que a chamada «província» não voltará a ser o que era, afinal até houve gente que se deslocou da grande cidade para espreitar como era - mas quando olhamos, já foi.

tudo volta ao marasmo inicial porque não houve modos de pensar nem a geografia do sítio - a humana incluída - nem o património, nem outra meta que não o fogo-fátuo do consumismo imediato e o da divulgação mediática.

as trocas foram mínimas, as transformações nulas, a evolução - do sentir, do pensar, do fruir, do criar - fica adiada.

refira-se então que, nestes tempos vorazes  de supermercados da cultura em que parecem, muitas autarquias, embarcarem tão levianamente, sobressaem de imediato as que projectam ou apoiam, em autênticas parcerias, eventos que se caracterizam por, visivelmente, aportarem mais-valias que permanecerão - nas possibilidades propostas, no apelo à sensibilidade por antagonismo aos eventos suportados apenas pelos palcos montados e respectiva parafernália técnica,  na diversificação conseguida pela acção de criadores externos, mas também na capacidade de integração da população local e de atracção de novos e interessantes públicos, e nas ocasiões pensadas para que se teçam teias de relacionamento humano - pois é disso, de diversificação humana, com capacidade sensível e  projectiva, que necessitamos por estas terras baixas. 

acredito que, encerrado este tipo de evento, permanecerão estes relacionamentos a gizar novas ideias e paradigmas. 

e por me ter encontrado, recentemente, num espaço onde essa inteligência projectiva e transformadora teve lugar - sobressaindo como estrela no deserto de tantos «acontecimentos» que tiveram lugar no distrito de Beja este Verão - que felicito aqui toda a organização do Festival Planície Mediterrânica e a Câmara Municipal de Castro Verde.

1 comentários:

Barros disse...

Isso, também concordo. É necessário investir nas pessoas, no conhecimento, em algo que permaneça e dê os seus frutos.
Demitir-se da sua missão é grave.
Continuemos a "lutar".
A madeireira.