- será necessário recordar ao Grupo Parlamentar do PCP que foi sob a Presidência do Executivo de maioria comunista na Câmara Municipal de Beja, que o trabalho da arte pública foi deliberadamente ostracizado e alvo de uma tentativa organizada de nos remeter ao silêncio, tendo-nos sido negada, de um modo abrupto, discriminado e ilegal - em carta infame, assinada pelo então Presidente do Executivo camarário, Dr Francisco Santos - a possibilidade de renovarmos o habitual protocolo de colaboração?
- será necessário referir que esse Executivo de má memória pretendia, com essa acção, asfixiar-nos financeiramente, e apagar-nos do mapa cultural de Beja e do Alentejo (dadas as relações de proximidade, de cumplicidade e as influências movidas então pela CMB junto de outras Autarquias da região)?
- será necessário recordar a acção de resistência que empreendemos em Beja, nessa altura, a este poder de cariz totalitário e prenhe de amiguismos partidários, que nos levou à abertura de um espaço próprio, a Casa Amarela, com acrescidos custos pessoais e institucionais, tanto para a equipa arte pública como para a respectiva Associação?
- será necessário explicar que o fizemos não apenas por nós e pelas Artes, mas por Beja, porque, tomando as palavras que emergem deste «convite», assumimos então a convicção de que «as Artes e a Cultura são elementos fundamentais da resistência à destruição dos direitos de todos e de defesa e exercício desses mesmos direitos» - leia-se: Artes sem insígnia, bandeira ou filiação partidária?
- será necessário referir as consequências da nefasta acção política do Dr Francisco Santos e dos seus apaniguados para com a arte pública na nossa gestão corrente - que temos vindo a tentar que o tempo e um esforço acrescido, em tempos particularmente difíceis, dilua?
- será possível que a mesma força partidária que tentou estrangular a actividade criativa e independente, porque não nos vergámos, no Portugal interior do séc XXI, ao feudo de uma cidade vigiada e sitiada pelo dever da lealdade partidária e do pensamento-padrão, venha agora solicitar a nossa participação numa «Política de Financiamento às Artes e Cultura?»
irra.
* convite endereçado à arte pública - Artes Performativas de Beja - pelo Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português para a «Audição Pública sobre Política de Financiamento do Estado às Artes e à Cultura»
foto:
momento da Grande Revolução Cultural, China
(da net)

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