Quand le vent est au rire quand le vent est au blé
Quand le vent est au sud écoutez-le chanter
Le plat pays qui est le mien.
Quand le vent est au sud écoutez-le chanter
Le plat pays qui est le mien.
Jacques Brel, Le plat pays
regresso de caminhar na terra a olhar para o incrível céu que me alimenta de estrelas.
caminho sob a névoa húmida. há um silêncio denso que me acompanha e me encasula.
abomino as grandes cidades, estranho o conceito de cosmopolitismo a elas associado, conheço bem demais a ilusória engrenagem para querer ser por ela devorada.
naquilo que pode ser uma cidade, uma pequena urbe, como Beja, teria as condições para brilhar na planície como exemplo de confluência estratégica de vocações. no entanto, Beja cristalizou-se no sedentarismo humano. veja-se o Rossio de Beja em dia de semana, a meio da manhã. têm entre os sessenta e os setenta anos os que cruzam as passadeiras, os que levam os saquinhos, vindos das farmácias ou do mercado, os que se sentam à boleia do sol de Inverno à porta do Banco do Estado, os que encontram razões para a discussão em exercício aristotélico, de pé, porque as pernas ainda aguentam, no mentidero das Portas de Mértola.
um caminhante, Nuno Ferreira, pôs os pés a caminho e peregrinou por este país. veja-se o registo fotográfico. atente-se na geografia humana do interior, na ruralidade sem identidade, a roçar a depressão.
após anos e anos de programas comunitários direccionados para o desenvolvimento do interior rural, é necessário reconhecer - e responsabilizar - que as políticas do betão e do alcatrão e dos modelos agrícolas importados, falhou. não gerou riqueza sustentável. não promoveu as regiões. não atraiu novos povoadores, como propõe (e luta por isso) Frederico Lucas.
não se pode exigir menos, nesta altura, aos responsáveis políticos e decisores locais e regionais, do que a tomada de consciência de uma outra ruralidade possível. cultura e ecologia têm de ser, forçosamente, os novos paradigmas.
0 comentários:
Enviar um comentário