Terça-feira, Dezembro 20, 2011

do endoudecer


«A gente não endoudece de desespero. Há um tal poder de recuperação dentro de nós, que cada trovoada que vem encontra o corpo já esquecido do que passou. Ou então, se padecemos duma tristeza endémica, estamos vacinados contra as crises agudas da doença. A natureza organiza estas coisas bem (...)»

Miguel Torga, Diário, 1 Fevereiro 1949

foto:
AQUI FUI CLARISSE
prod arte pública, 2009

Quarta-feira, Dezembro 14, 2011

Domingo, Dezembro 11, 2011

dezembro em Beja, I


















é tardio o  desejo de estar rente ao chão
agora que o céu também ele de cinzento
nos nubla
estranhezas urbanas as árvores resistem
- até quando?
insistem
em coroar os pisos que tão diligentemente cobrimos
de empedrado e alcatrão

oferecem-nos o manto apenas tão leve
teceram o sol e agora o sol permanece
à divina altura dos nossos pés

ignorantes ainda da revolta força
de se ser raiz.

Terça-feira, Dezembro 06, 2011

dos otários e dos outros

Otário

adj. e s.m.  Que ou o que se deixa enganar facilmente; ingénuo, simplório, bobo.


pensa-se que seja possível, acreditou-se na mudança e afinal, depois do tempo da prova constata-se o evidente: talvez os papalvos não sejamos nós, mas seremos, decerto, tontos. 

eles, por sua vez, não são parvos - e muito menos pascácios ou patos. fazem o sonso, cultivam-se tansos, mas lá vão - ainda com os subsídios todos - na tranquila certeza do vencimento no dia - também ele certo -  do mês.

tantãs somos nós - eles, se forem toleirões, é apenas na demonstração das suas pequenas vaidades (os tempos estão perigosos para se alardearem as grandes).

em tempos de mudança, os mesmos assentos acolherão novos cretinos. 
os tolos, que fazem a história dos lugares, continuarão por cá.